sábado, 12 de abril de 2008

" Gota D' Água "


Depois de uma temporada em cartaz no Teatro Glória, o espetáculo “Gota D’ água” reestreou, no início do mês, no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio. Fui conferir a peça sob influência de uma amiga: “Elis, é muiiiiiito bom, é **** e você tem que ver!” Como não sou boba e obedeço a ordens de quem realmente gosta e entende de teatro, fiz das palavras da Isadora uma intimação.
Claro que só pelo texto, já valeria a pena. A peça escrita por Paulo Pontes e Chico Buarque é um dos musicais mais reverenciados do teatro brasileiro e, pra quem já leu a obra, assisti-la no teatro tem um gostinho diferente. É como se aquilo tudo realmente existisse. O texto foi montado pela primeira vez em 1975 e tinha Bibi Ferreira como protagonista. Começando por aí, fica evidente a dificuldade de se remontar “Gota D’água”. Há que se ter muita coragem, determinação e sensibilidade. Sensibilidade foi o que mais teve o diretor João Fonseca, orientador do grupo. O diretor estudou os sentimentos dos personagens e tudo o que está implícito nas falas atribuídas a eles. Estudou tanto que compreendeu cada detalhe e tomou a liberdade de encaixar na peça duas canções do Sr. Buarque que não foram feitas para a ocasião. Fez com que “Partido Alto” e “O Que será – à flor da pele” parecessem realmente parte do texto original.
O cenário, a princípio simples e prático, surpreende a platéia ao final do primeiro ato em uma das cenas mais impressionantes, bonitas e arrepiantes que eu já vi no teatro. O elenco, composto por 10 atores/cantores, está afinadíssimo na interpretação e no canto, mas o destaque vai para Izabella Bicalho, que interpreta a protagonista Joana. Izabella traz uma força dramática, uma intensidade de mudar o tom do palco e da platéia a cada vez que ela entra em cena. Palmas, também, para a banda que acompanha o espetáculo. Os músicos ficam lá no fundo do palco, atrás do cenário, meio escondidos, meio aparecendo, mas estão atentos, fazem parte da história e interagem com os atores.
Então, depois da rasgação de seda, vou atender ao pedido que a atriz principal fez no final do espetáculo e informar aos amigos: “Gota D’água” fica em cartaz até o final de maio no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, s/no. O preço – impossível fazer reclamações sobre ele – é R$25,00 a inteira e R$ 12,50 a meia-entrada. Mais algum estímulo?


2 comentários:

Isadora Marinho disse...

Um escândalo né? Te falei que chorei horrores no fim do primeiro ato... e olha que eu tava no PULEIRO do lado DIREITO, que é sabido o pior lugar pra vc assistir qualquer coisa... Mas tipo, me senti lá dentro, a Izabela é maravilhooooosa, a direção é divina, aliás, o João Fonseca tá super na moda, dirigindo TU-DO!

Vou mencionar aqui o Thelmo (não lembro o sobrenome agora), que era dos Fudidos e Privilegiados e foi indicado ao Shell pelo Creonte. Ele também tá um escândalo.

Beijão Elis!!!!

Pedro H. Martins disse...

Não entendo lhufas de tablados, atos e afins, mas a obra teatral do Chico é quase tão respeitada como na música, então deve ser muito boa mesmo! E Roda Viva, vc viu, ms.eliseth??